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Reflexões Estéticas



"Sem música, a vida seria um erro" [Frederich Nietzsche]


Acabo de ler essa citação no perfil do colaborador Felipe Godoy. Fico, quando vislumbro esse tipo de manifestação partindo de jovens, extremamente contente - com efeito, sou um daqueles visionários que creditam (e acreditam) na arte como forma de "ir além" da atual situação de crise subjetiva. Considero, sobretudo, que a arte se tornou um dos últimos redutos de expressão de si - a antiga (e sempre atual) catarse aristotélica.

Ok, sou e serei um defensor da arte. Que as novas gerações re-conheçam o alcance deste tipo de manifestação e atribuam o devido valor - ou re-atribuam, já que este meu último reduto expressivo tem sido, como bem sabes, reduzido (à pó).

O texto que se segue foi redigido na época da faculdade: naquela época eu estudava Schopenhauer (grande filósofo alemão do séc. XIX) e sua relação com Filosofia oriental, música, dentre outras... vale a pena ler e conhecer um pouco mais sobre o autor !


"A grande virtude de Schopenhauer é diagnosticar a fonte dos nossos sofrimentos e propor maneiras de transpassá-las. A meu ver, este foi o primeiro autor que pressentiu a crise do sujeito, um sofrimento agudo, deu causas a ela e que, penetrando nas entranhas da Vontade, propôs uma transcendência.

(...)

Segundo o autor, ao entrar em contato com algum tipo de arte, o indivíduo (sujeito mais corpo, segundo definição do filósofo) abre a possibilidade de se perder diante da obra: nesse movimento de perca via contemplação estética funde-se o objeto e o sujeito e conseguimos nos livrar, finalmente, do fardo da Vontade. Fato é que ao integrarmos com o objeto, vislumbramos não algo submetido aos princípios reais, como espaço-tempo e causalidade; vislumbramos nada mais do que a idéia de Platão, à essência, à imutabilidade da forma e a realidade mesma. Não mais haverá apego às coisas; não mais estaremos submetidos à uma irracionalidade. Neste momento, estaremos num plano totalmente distinto de tudo. Mas quanto tempo suportaríamos nesse plano? Varia, nos responde o filósofo. Há uma aproximação entre gênios e loucos, os quais conseguiriam ficar por mais tempo num estado de transe na frente de uma obra: estendendo a teoria schopenhauriana, poderíamos considerar como contemplação estética até nosso cotidiano: por isso gênios e loucos possuem este estado de transcendência tão exacerbado. Nos demais seres, o tempo de permanência varia de acordo com uma série de fatores, como a arte contemplada, por exemplo. Mesmo não sendo a arte o ir-além do sofrimento por excelência, ela nos livraria ao menos temporariamente do fardo da existência. Uma vida dedicada a arte nos tornaria felizes."



Vale a pena ressaltar que, segundo Schopenhauer, artes como arquitetura e escultura possuem um vínculo muito grande com a realidade mesma. Tais farão, no máximo, um vislumbre da idéia, enquanto a música fará o vislumbre da Vontade ela mesma: com efeito, a música não possui nenhum vínculo com a realidade. É totalmente transcendente.

Um comentário:

  1. "Mesmo não sendo a arte o ir-além do sofrimento por excelência, ela nos livraria ao menos temporariamente do fardo da existência. Uma vida dedicada a arte nos tornaria felizes."

    gostei, eu penso assim também,
    acho que qualquer manifestação artística é válida, a partir do momento que satisfaz quem o faz, pois alguns tomam tal atividade como obrigação, e obrigação acaba se tornando tédio.
    Sejamos "Artistas", e assim, a felicidade estará em nossa companhia.

    valeo aê pelo post,
    um abraço...
    Felipe Godoy.

    http://garfosemdentes.blogspot.com/

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